quarta-feira, 1 de junho de 2011

Lar

Viajo por tanto tempo

E encontro

Da mesma forma

Que faz soar

O desencontro

Sem perceber

Que as estrelas

Não ficam no mesmo lugar

Elas se movimentam

Como tudo na vida

Até pedras podem andar

Em tal quietude

Que não percebemos

Se talvez

Eu me desperdiço

Não foi o tempo

Que faltou

E sim

Meus abandonos

Que fiz por gosto

A vida persiste

Em tentar

Outros lugares

Ei de conhecer

Talvez não hoje

Quem sabe

Outro dia

Viajo há tanto

Pra tentar encontrar

Em mim mesmo

Uma moradia

Que o meu coração possa

Selar meus abandonos

E chamar


De lar



Jeferson Guedes

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Flor paisagem

Foi paisagem?
Ou foi apenas,
Imagem?
Inventada,
Forçada
O pensamento
Que veste roupas
Que cheiram fumaça

Foram feitas de erros
Minhas pernas,
Que tremem assustadas
Corpo frágil
Eu tenho
Meu sono tranquilo
De sonhos desbotados

A rua nunca está vazia
Repleta de rostos desconhecidos
O copo transborda
Sobre todas as coisas
Que eu sinto

Eu a cheiro,
Flor delicada,
Mais e mais a cada dia
E nunca perdes a essência
Muito menos o brilho

Agora eu sei,
Foi paisagem



Jeferson Guedes

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Dói-me a vida, em silêncio


Eu sou ninguém
Vim dar-te alguma coisa
Que ainda não sei
Sei de tão pouco
Não sei por onde começar
Não tenho nome
Nem mesmo classe
Sou ninguém
E dói-me saber
Que dói a vida
Em silêncio
Eu não posso te ouvir
Por isso
Não diga
Tente ouvir
Sei que são palavras
Que se confundem
Com tal vazio
Não sou ninguém
Sou vazio
Tenho voz
Que quase sempre
Cala
E dói-me
O silêncio
Nenhum trovão
Escuta
Nem chuva
Nem vento
Sou ninguém
E até aqui
Cheguei
Não por gosto
Voltei, talvez
Ao ponto de início
E lhe entregarei
Este presente
Vou dar-te o barulho
Do trovão
Que se estremeça
E ouça
Vou ser trovão
Chuva e vento
Não tenho nome
E dói-me a vida
Em silêncio



Jeferson Guedes