quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Não é nada (poema niilista)

não é nada

nunca foi nada

jamais fora alguma coisa

sempre foi em vão

os dias passam

e as horas se perdem

e eu fico confuso

olhando pra janela

vejo que tudo sempre fora nada

e as coisas que quis acreditar um dia

ficaram nulas

a vida sempre fora morta

e no fim do dia

não senti nem a noite

nem a lua

nem estrela que brilha

é tudo opaco

tudo imperfeito

nada se compreende

tudo se perde

tudo se chora

e no fim

tudo se esquece




Jeferson Guedes

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Cada vez mais ainda

O tempo vai passando e eu cada vez mais perdido.

- É... Caro caríssimo, estou perdido.

- Mas aonde tu queres chegar?

- Não sei ainda...

- Então como podes dizer que está perdido?

- Eu não tenho caminho, e eu faço escolhas erradas, sempre erradas.

- Um dia tu vai encontrar o caminho certo.

- Talvez... Ou talvez eu me perca mais ainda.

Tantas pessoas... Tantos acasos... Tantos encontros... Tantas despedidas.



Jeferson Guedes

sábado, 25 de dezembro de 2010

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Depois do pesadelo

Oh! Tão tolo eu me fiz...
Acordei assustado,
E as horas que eu perdi...
Sem mesmo tê-las
Ao meu lado...
Fora apenas outro pesadelo
Outro devaneio
Que me abriu os olhos...
E eu me acho toda vez que me perco.
Que respiro sem mesmo
Ter um motivo.
Ora! Fora apenas outro sonho ruim,
Mais um pesadelo...
Mais horas sem dormir...


Jeferson Guedes

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Construir lembranças

Eu não gosto de ter lembranças
Pois é a certeza de não ter mais
O momento
Elas machucam tanto...
Acho que por isso que eu tenho
Receio de viver
“Nós vivemos apenas pra construir lembranças”
(escrevi isso uma vez)
Mas o que faremos
Quando nossas frágeis construções
Caem com o primeiro vento?
Será que devemos remontá-la?
Ou faremos outra construção?
E essa agüentara até o outono?
Às vezes eu fico pensando tanto...
Lembrando tanto...
Bem sei que,
Fizemos ruínas das nossas frágeis lembranças
Eu sempre reconstruo
Um tijolo em cima do outro.
Tijolos amarelos.
Uma vez me disseram:
“Lembrar o passado é sofrer duas vezes”. ’
Eu não me arrependo de nada.
Arrependo-me apenas de:
Ter me exaltado.
Não ter podido controlar a situação.
Eu fico pensando:
“Será que alguém sente a minha falta?”
Hoje eu não sei ao certo...
Se as estrelas brilham pra sempre...
E se as nuvens são feitas de algodão.
Eu vou conseguir construir novamente...
Tijolo por tijolo.
Mesmo sentindo a tua falta.



Jeferson Guedes


"Pouco importa se essas nuvens foram um dia algodão... Pouco importa se elas escondem o céu..."

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Desconhecido

Eu vou postar... Meio bêbado... Um poema de uma amiga minha... Conheci ela faz muito tempo... Lá em São Francisco do Sul... Tenho um carinho enorme por ela... E eu me identifico muito com esse poema.



Com um cigarro entre os dedos,
um copo de bebida e
um sorriso sarcástico.
Ali sentado à mesa ele estava,
olhando para todos,
tentando se encontrar.
Talvez se encontrar em alguém.
Mas a noite terminou e ali ele permaneceu,
envolto em sua própria solidão.

Michele Deunizio.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Gosto amargo

Não foste tu
Que veio pra me socorrer
Na calada do meu sorriso
Que não me sobrou à noite
Em que eu pensava
Que a tua mão
Vinha pra me dizer
Que iria ficar tudo bem
Como antes
Bem sei que as palavras
Somem com o vento
E as lembranças
Ficam com um gosto amargo


Jeferson Guedes

domingo, 12 de dezembro de 2010

Divã.

Eu nunca gostei de beber... Não sei por que eu bebo. Eu fui straight edge 7 meses da minha vida. Participei de muita coisa, muita coisa que eu me orgulho. Agora eu me vejo aqui... Não fazendo o que eu gosto. Sei lá. Tipo... Acho que foi uma fase legal eu ter voltado. Esfriei muito a cabeça. Hoje eu não sou tão revoltado... E conheci pessoas que ficam perto... Mesmo me achando estranho algumas vezes. É engraçado. Eu gosto de poesia... De suavidade... De dar sentido pra vida através de palavras. “Dar sentido a vida pode levar a loucura”. E mesmo gostando dessa suavidade... Eu gosto de rebeldia. Que me fez conhecer o Punk e o Hardcore. Acabou o meu vinho. Dois amigos vieram aqui em casa hoje e me fizeram almoço. Foi uma tarde agradável... Mas isso não é um diário. Essa manhã eu acordei... Me lembrando de um sonho. Nesse sonho havia todos os meus amigos... E outra pessoa também. E ela me procurava no meio de tanta gente... E eu a via... E tentava me aproximar. Mas havia tanta gente... E ela gritava por mim. E eu não conseguia chegar perto dela. Foi muito estranho... Um sonho muito ruim... Pensei... E liguei umas 500 vezes. Acho que ela deve ter me odiado por isso. Eu não consegui mais dormir. Tentei assistir um filme. Ah, eu tomei uma chuva tão grande hoje. Eu e o meu amigo. Sei lá. Se eu não pegar uma gripe por causa da chuva... Até que foi divertido. Sabe... Eu não consigo encarar a verdade eu acho. Sei lá. Demora tanto tempo pra eu enterrar alguém. Mas eu só to pensando em me tornar Vegan de volta. E fazer faculdade ano que vem. Eu queria comprar uma moto. Gosto tanto dessa sensação de perigo. E do vento me batendo. Sabe... Eu acho que eu não sou a pior pessoa do mundo. Eu sei que faço merda algumas vezes. E eu me arrependo tanto de tudo isso. É engraçado. Eu sou uma pessoa tão atípica. E eu me acho tão legal algumas horas, e outras eu acho que eu não valho a pena pra nada. Eu sou uma pessoa responsável. Odeio faltar trabalho. Escutei agora: “sendo assim não doeria tanto, responder ao teu silêncio.” A vida é tão doida... Eu me senti tão feliz correndo na chuva hoje. Sabe... Algumas coisas eu tenho que mudar em mim. E eu sei disso. Eu tenho que parar de ficar me importando tanto...

sábado, 11 de dezembro de 2010

Restaram as palavras e a chuva

Eu só tenho as minhas palavras
Dois mundos que se perderam
Noutra noite que o dia não veio
Chegou tão perto de mim
Meus joelhos tremeram
Tomei outro copo
Mesmo sabendo
Que não ia agüentar
A chuva nos meus ombros
Eu não sabia o que fazer
Se eu te olhava
Ou eu me deixava de ser
Tudo tão puro
Tudo inigualável
Que por meu descuido
Deixei o meu orgulho corroer
Tão já
Me restaram as palavras
Que ainda se fazem dentro de mim
Com a chuva que caia
Dos meus olhos
Caiam mais
Talvez
Não fosse pra ser isso
A chuva não poderia ter caído
E manchado o meu corpo
Com tais arranhões
Sei
Que dessa noite que se foi
Chorei
Bem mais do que a chuva
Que nos meus ombros,
eu trazia



Jeferson Guedes

Em teu rosto

Tantas vezes
Eu encontrei
O meu sorriso
Atrás dos teus olhos
E desejei tanto
Tê-la por perto
Pra eu poder
Sorrir
Te olhando
Tu foste o meu tudo
E eu quis te proteger
De qualquer coisa
Eu fui um tolo
Por ter esquecido
Os meus lábios
Em teu rosto


Jeferson Guedes

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sobre sonhar

Cabe a mim
Ainda ter sonhos
Que sejam tangíveis
Que não se enfraqueçam
Do tempo
Em que me atirei
Aos versos
Apenas em tentar ser mais
Faço tudo que posso
E fujo do meu pior
Bem sei
Sonhos
São difíceis
Pois tudo é abstrato
Tudo é nulo
Entre tudo
Pode ser exato
E eu sei onde dói mais
Qual foi o verso
Que mais chorei
E qual foi à vida
Que sofreu mais
Hoje bem sei
Das vezes que eu sonhei
Eu estava de olhos fechados
Fingindo que a dor ia passar
Mas tais versos
Não se fazem
De momentos belos
E sim
Do escárnio que me fez escrever
Sobre sonhar


Jeferson Guedes

sábado, 4 de dezembro de 2010

Das vezes que desviei o olhar

Desviei o meu olhar
Em tantas vezes
Que hoje
Não me sinto culpado
Nem inocente
É outra vez
Em que me detive
Tentando te olhar
Juro
Que nesse mar
Que me afoguei tantas vezes
Vi tantas sereias
Elas e seu canto profano
Que me levou ao fundo
E nunca mais vi os raios de sol



Jeferson Guedes

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pra eu poder dormir

D’outra vez mais
me descubro
pra dormir
já fui estrela
que se apagava
já fui janela
sem vidraça
sem lembranças
d’outra madrugada

oh! Sonho terrível
aflito
outra vez me debato

na cama
que fiz dela
meu poema
sem sentido
nem começo
nem meio
muito menos
o meu fim

pois, bem sei
és meu sonho
d’outra vez terrível
agora
de tanta paz
que, bem sei
é infinita
Oh! paz que eu preciso!

pra eu poder dormir



Jeferson Guedes

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Palavras

Finjo-me de forte.
E tento engolir as palavras.
Eu perdi o meu escudo
E a tua espada
Atravessou meu peito.
Cai no meio do gramado,
Pensando que fossem estrelas...
Com algumas palavras sufocadas,
Pelo sangue, e pelo meu apelo de clemência.
Um golpe de morte
Tão frustrante que recebo
Todos os dias...
Giro o gelo no copo.
O gelo desaparece devagar...
E vagamente não tenho mais nada.
Nas mãos?
- Nada.
Nos olhos?
- Mentira.
Na mente?
- Tristeza.
No peito?
- Uma lâmina.
Levantei-me...
Mesmo cambaleando.
Olhei-te.
E me perdi no meio das palavras,
As quais jamais tive coragem para dizer.



Jeferson Guedes

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Em outras tardes

Talvez
Me abrasses
Em outras tardes
E diga do fundo do peito
O que te cativas
Por eu ser
Eu mesmo
Não ser outro

Nem os pensamentos
Que não quero mais ter
Pra não me ver
Refletido no espelho
A mesma imagem
Que eu fiz
Pra tentar ser outro
Não eu mesmo

Mas se te cativas
Quero sempre
Ser eu
E te ter
Em outra tarde
Que eu não tenha
Nada a dizer
Nada pra pensar
Só sentir
Que estou vivo
Ou me faço de vivo
Só pra possuir
Outro abraço
Em outro entardecer
Que seja
Puro
Que seja
Inesperado


Jeferson Guedes

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Enquanto eu olho a estrela

Será que és tu,
Que estás a me vigiar?
Ou sou eu...
Que de tanto te olhar,
Toco o céu
E rasgo as nuvens,
Para poder pensar...
Se, é eu que estou
Sempre a te zelar?
Ou se és tu que estás
Sempre a me vigiar?



Jeferson Guedes

De tanto que olhei

De tanto que olhei
achei uma estrela
que é só minha
de ninguém mais
Ela sempre está
naquele lugar
que só eu sei
e no embalo
do meu peito
ela brilha sempre
brilha cada vez mais



Jeferson Guedes

Bipolar

Eu tenho momentos
Um momento que se faz
de treva
outro tão ameno
quão a primavera
É um dia após o outro
Um em que estou coberto
de pura raiva e descaso
Já o outro
estou sorrindo sem saber
sem mesmo querer

Eu sempre sou
cara ou coroa
Nunca se repete
Nunca estável
Sempre diferente
Sempre oscilo
entre um olhar de ódio
Outro de pura graça
Dois pólos
Dois opostos
em um único ser
que só sabe sorrir
outro dia
só sabe sofrer



Jeferson Guedes

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Sem vontade

Estrangulei o meu sorriso
Perdi a libido da vida
Queria poder me perguntar
Mas a minha fala não se ouve mais
E sempre fico no chão
Com espinhos nos olhos
Me sentindo horrível
Eu joguei o resto da bebida
Da mesma forma
Que fiz da minha esperança
O que esperar?
Os dias sempre passam
E sinto que os dias
Sempre são iguais
Da mesma forma
Que a minha vontade
Parece secar
Junto da bebida
Que deixei
À vontade
Na calçada



Jeferson Guedes

sábado, 6 de novembro de 2010

Divã

Ontem o dia não fez tanto sentido. Sei lá, eu estava inquieto. E o dia passou, como se fosse qualquer outra sexta-feira clichê. Mas pra mim soava alguma coisa errada. Eu estava triste, como sempre estive, mas essa sexta-feira que se passou... eu estava no cume da tristeza. Não entendo. O que houve comigo ontem. Cheguei em casa. Fumei um cigarro. Escrevi. Não me senti bem. Deitei. Não tive mais vontade de fumar. Passou horas... Eu ainda estava do mesmo jeito, com a cabeça embaixo do travesseiro, querendo sufocar. Essa sexta-feira, que já morreu, eu só pensava em como a morte viria pra me pegar. Dormi. Abri um olho... E vi uma sombra perto de mim... Fiquei um pouco assustado com isso... Entretanto, logo percebi que era por causa da luz do computador. Eu ainda tenho medo, pensei. Voltei a dormir... Tive um sonho estranho... Eu vi nesse sonho a minha avó me encontrando ensangüentado na cama. Chorei um pouco, desejando sumir de vez da vida das pessoas... Não queria ninguém perto de mim. Não queria falar com ninguém... Simplesmente não queria estar vivo. Não queria ter lembranças... Não queria ficar mais triste. Não queria ter optado por um caminho tortuoso que nunca se acaba... Ontem passou. Sexta-feira morreu... Sábado chegou... Chegou antes da hora. Eu não dormi muito bem... Sei que abri os olhos, e vi a luz do dia entrando novamente... Fiquei um pouco mais triste por isso... É outro dia... E pelo jeito não vai mudar tanto. A minha vida nunca parece mudar. Sempre é a mesma coisa de sempre. Não sei. Sabe... Tipo de você achar que ninguém se importa? Se tu chegar de ir... Pra não voltar mais... Pra não ter mais nenhum momento junto de ninguém. Ser esquecido. Acho que tudo na vida é esquecimento, quando não se valoriza as lembranças...

Não sei

Não sei
É a minha resposta pra tudo
Mesmo sabendo
Eu ainda não sei
A minha velha certeza
Que eu sempre soube
Que nunca ia saber de nada
Eu não sei
Continuo não sabendo
Apenas não sei
Nunca vou saber
O que há de tão errado
Em tudo o que vejo
A velha certeza
De ainda não ter a resposta
E a única palavra que eu sei dizer
É:
Não sei


Jeferson Guedes

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Carrego dentro do que sinto

Carrego dentro do que sinto:

A mágoa de quem se foi.
A incerteza de quem se foi,
deixado.



Jeferson Guedes

Lembro

Eu sempre lembro
Das vezes que desejei tanto
Ter meus olhos arrancados
Fora do meu rosto
Fora de tudo o que é tirado
Hoje eu lembrei de quando criança
E a pouco quando me olhei
Nesse espelho quebrado
Não mudou tanto
A tristeza da vida
Carrego desde pequeno
E ela nunca foi embora
Sempre ficou
Eu e a minha tristeza
Tenho doença nos olhos
Acho que nem merecia ter
Nem a doença
Nem meus olhos
Pois nunca me vi feliz
Nunca me vi bem
Hoje eu lembrei de volta
Que eu sempre fui morto
Jamais vivi
Jamais sorri
Hoje eu queria apagar
Da mesma forma
Que o sol apaga no horizonte
Mas eu não queria
Nascer de novo



Jeferson Guedes

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Perdido outra vez

Meu olhar parado
respondendo a fumaça
que some pelo ar
até me sinto com inveja
de não poder sumir
feito fumaça

É,
cá estou eu
outra vez
me sentindo
perdido
e
esperando poder
me encontrar
junto de você


Jeferson Guedes

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Ser estrela

O outro espera que tu brilhes...
Toda vez que olha para o céu.

É difícil e triste
Ser estrela.


Jeferson Guedes

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Uma outra vez mais

Eu não sei
O que fazem meus olhos
Ficarem cegos
Queria
Ver a luz
Só outra vez mais
Mas eu não sei
O mundo me trouxe
Só o que
Eu nunca quis ver
Eu não sei
O que o mundo espera de mim
Eu não espero nada do mundo
Eu jamais esperei
Chegou à hora de eu ir embora
Pra não voltar mais
Nunca outra vez mais
Sem luz
Meus olhos se apagaram
E eu já não sei
O que fazer
Eles não enxergam
Até mais
Vou embora
Quem sabe outro dia
Eu fique
Outra vez mais
Mas eu sei que
Cultivar esperanças mortas
Não me fazem bem
Por isso
Vou embora
Pra nunca mais ter
Uma outra vez mais



Jeferson Guedes

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Primeira estrela

és a primeira estrela
que brilha
que o meu céu
tão escuro
não pode apagar
nem que seja dia
sempre brilha
teu sorriso
trouxe algo a mais
no meu turvo céu
que dos dias
que eu tive
fizeram-se em cores
cinzas
agora
já não é cinza
meu céu
agora
tem cores
que o teu sorriso
me trouxe
como estrela
que jamais se
apaga
que pra sempre
brilha


Jeferson Guedes

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Me diz

Então me diz,
Que o instante
Não ficará morto,
Ao olhar pra trás...
E ver que já eu estou longe.
Então me diz,
Que não deixará
O sereno da noite
Escurecer o meu rosto.
E mesmo que eu esteja longe...
Ainda estará comigo.
Sabes,
Que eu não tenho rumo.
E não sei ler os mapas,
Nem mesmo a bússola.
Nem norte,
Nem sul,
Nem leste,
Nem oeste.
Apenas,
Eu me guio
Através dos teus passos.
Então me diz,
Que não estará perdida
Ao chegarmos à encruzilhada.
Aí então,
Dê-me a sua mão...
E eu poderei caminhar
Ao teu lado...
Com os olhos fechados.



Jeferson Guedes

domingo, 24 de outubro de 2010

Dentro da mágoa

Dentro da mágoa
Eu me esqueço
Quando em quando
Cai outra lágrima
Ainda as tenho
Elas nunca acabam
O final da tarde
Sempre chega
E me deixa
Outra vez sozinho
Não tão sozinho
Eu me tenho
Sozinho
Bem como viver
Na imensidão
Do rubro céu
Que só traz escombro
Choro
Como se fosse
Garoa
Meu céu
É aquilo que tenho
Nuvens carregadas
Nunca faltam
E já não é mais garoa
É tempestade
Que só se faz
Nos meus olhos
O que eu tenho
É apenas a minha mágoa
E eu só me tenho dentro dela
E de ninguém mais



Jeferson Guedes

Dente de leão




Dente de leão,
Que o assopro desfaz.
Se não fosse
Qualquer vento...
Ele viveria em paz.

Triste saber...
Que toda vida voa,
E é difícil entender,
Que nascemos,
De certa forma
Pra um dia voar.

O tempo nos desprende.
Nem que seja,
Com qualquer sopro,
Com qualquer brisa,
Com qualquer vento.

Hei de um dia,
Estar livre pelo ar.
Minhas memórias ficarão
A vontade do vento
Ou do quão forte
Irá ser o assopro.

Hei de um dia,
Como o dente de leão,
Vou poder voar.


Jeferson Guedes

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Mundo imperfeito

Mundo imperfeito.
Sofrer pra não morrer.
Todos seguem do mesmo jeito...
Mas não fazem por querer.

Me diz qual:
- Grito que não se ouve?
- A ferida que não se sangra?
- A vida que não se morre?
- Qual delas que não se sofre?

Bem sei apenas,
De tudo o que é:
Errado.
Tudo o que é torto.

E choro,
Por saber...
E choro,
Por Ágape
Nunca ter passado
Nem perto de mim.

E me consolo.
Com o abraço
Da parede.



Jeferson Guedes

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Aos sonhos

Aos sonhos perdidos
Que nem os sonhei
Nem adormeci
Meus lados errados
Todos errados
Já estou abrigado
E ainda me sinto
No relento
Desse vento
Que não me deixa nada
Só tira
Cada vez mais
Sinto
Que ainda não tenho meu rumo
Que ainda estou perdido
Dentro dos pensamentos
Dois lados errados
Que carrego
Sem mesmo querer tê-los
Sem nunca ter pedido
Muito menos desejado
Traço uma reta torta
Que não me leva ao lugar
Onde o vento não passa
Meus pensamentos somem com ele
Eu fico refletindo
Com a minha solidão
E não era isso
Que eu tanto queria
Mas quase me obrigo
A eu ser sozinho
É o outro lado da moeda
Que tem o mesmo rosto
Eu reflito
Com essa parte que me falta
Mas não sinto falta
Nem da aurora
Nem da outrora
Nem de tudo que desperdicei
Por puro orgulho
Por pura raiva
A raiva materializada
Que eu tenho do mundo
Ou não do mundo
A raiva que eu tenho
Da minha vida
Aos sonhos
Que não sonhei
Aos sonhos
Que eu nunca vou ter



Jeferson Guedes

sábado, 9 de outubro de 2010

Entre mim

Entre mim
Há sempre
Outra vida,
Que a deixo
Passar
Despercebida.
A deixo
Seguir
Mais um caminho,
Que o orvalho
Não me acorda.
A ferida
Que traz sonolência,
E não me deixa dormir.
Tantas vezes tentei,
Ou pensei,
Em ser mais forte.
Mas há sempre
O fim donde queremos
Chegar um dia.
Um passo,
Outro passo.
A cada ida
Mais longe fica.
Outra vez eu fico velho,
Sem mesmo perceber.
Entre mim há sempre!
E nenhuma certeza
Fica.



Jeferson Guedes

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Dentro do sonho, fora do tempo

Talvez,
Seja tarde.
O tempo
Não se renova.
Nunca volta atrás...
Acho que
Desse tempo
Eu nunca fui dono.
E os passos
Não podem
Voltar.
Eu queria poder
Me esquecer.
Dentro
Dos meus sonhos.
Bem sei que,
Você estará lá...
E o tempo
Jamais,
Você de mim
Conseguirá
Afastar.



Jeferson Guedes

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

É outro verso, talvez meu inverso ou inverno

É outro verso
Apenas o inverno
Ou o inverso
Do que seria
Perfeito
Mais outro verso
O inverso do inverno
Que é o verão

É outro verso
É a terra firme
Que se desprende da água
Um versinho
Pra olhar as ondas
E sentir a maresia

É outro verso
A chuva forte do verão
É outro inverso
Do inverno
Que já passou
Que só trouxe
Talvez alegria
E o tremor
Do terremoto

É outro verso
Daquele
Que tanto sofre
Por sofrer
É o meu inverso
Da alegria
Que o inverno
Se esqueceu
De trazer

É outro verso
Talvez não só
Talvez sejam versos
Da minha vida
Da minha alegria
Do inverso
Do meu verão
Que foi o meu inverno
Que já passou



Jeferson Guedes

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Vagueio e repito

Entregaste-me,
a outros mundos.
Sem vê-la,
que sigo tanto.
Por meu amor
aos imundos.
Iludido,
tanto vagueio,
Contando meus sorrisos.

Amargura,
velha companheira.
Acompanhe-me
a outra dose.
Não me deixes
tomar toda a garrafa.
Sabes que desconheço
meu caminho.

Sem me amargurar,
meu peito flagela.
Ele não suporta
O peso da alegria.
Outra noite,
Que tu foste tão rápida.
Passa mais apressada...
Mas não sei.
Que pressa tem?

Logo,
já é tão claro.
Logo,
arde-me os olhos.
Em outra manhã suave,
Desperto-me,
antes do relógio.
Que mais tosse tenho!
Que mais tenho certeza,
do que seria,
essa eternidade.
Mas é outro café apenas.
É outro sorriso.
Nada além disso.


Sem tê-la junto, comigo.
Triste, amargurada,
ferida que deixo abrir.
Que já tão farto,
de quase tudo.
Mesmo assim,
não a deixo fugir.

E posso até vaguear
por outros mundos.
Mas,
é só o teu nome
que repito.
E é só nos teus olhos
que me perco.
E teu rosto
torna-se o norte,
que da minha bússola
tanto
falta...


Jeferson Guedes

sábado, 2 de outubro de 2010

Nos beirais

A minha antiga mágoa,
Ressentida.
Que não me deixa,
Tão sozinho.

Ainda assim,
Não esqueço:
“O que seria a solidão?”
Outra duvida apenas.
Talvez alguma divida.
Entre outro
Amigo que se vai.

Outra coisa que se perde.
Na nossa antiga caminhada,
Que hoje se faz sozinho.
Tanto pra mim, quanto pra ti,
Meu velho amigo que se vai.

Deixaste-me a dúvida.
Do que seria a “solidão”,
Mas não me deste perdão.
Eu muito menos...

A minha antiga mágoa,
Que não sei
Esquecê-la jamais.

E fico tão mudo
Perante o mundo.
E me deixo sozinho
Nos beirais.



Jeferson Guedes

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Quando eu quero ou preciso

Eu vejo somente
O que eu quero.
Por isso fecho os olhos
Para o mundo.
Eu escrevo
A minha própria neblina.
E dou asas a minha Quimera.
Não preciso de Deus,
Pra fazer isso.
Pois eu morro
A hora que quero.
E me ressuscito
A hora que preciso.
Vejo somente
O que eu quero.
E quando escrevo...
Eu crio,
A minha própria neblina.



Jeferson Guedes

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Em meu silêncio

Respondi-te
Em meu silêncio,
Tu já sabias
Antes de eu falar.

Parece que lê
Meus pensamentos,
Mesmo em quando
Eu nada penso.


Jeferson Guedes

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Meus braços

Meus braços
São fracos
E não conseguem
Sustentar
Meus desejos.
E já não seguro
Deixo-os ao relento,
Que espero
Vir até mim
Um sopro tão forte...
Que me separe da vida.
De todos os momentos,
De tudo o que passei.
Sou jovem,
Mas sem vida.
Afogo-me no lago
Das minhas percas,
E lá também encontro
O meu corpo perdido.
A tristeza é tão forte...
Que não resisto
E me entrego
A outros versos,
Sem sorrisos,
Sem esperanças.
Qual foi a noite
Que passei sem ter
Soluços?
Sem ter pensado
Naqueles outros mundos
Que se fazem
Na outra ponta
Do mar?
Que me parece
Ser tão infinito...
Que não há fim.
Passei algum tempo...
Imaginando o que tem do outro lado.
E quando dei por mim...
Você já não estava
Mais comigo.
Perdido e sozinho.
Sou assim,
Desde os meus primeiro passos.
Cresci,
E ainda não entendo
Ao certo...
O que tanto me cerca.
Das pessoas que se importam...
E das outras,
Que eu sei,
Existem,
E estão mortas.
Mas ainda respiram.
Carrego tanto vazio
Nos olhos...
E os meus desejos
Eu deixei
Num lugar,
Que hoje eu já não lembro.
É melhor assim.
Bem sei,
Que das coisas que desejo...
Meus braços são fracos
E não agüentam.



Jeferson Guedes

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Naufrago

Tanto tempo...
Vagando sem sentido,
No meio desse oceano...
De tantas lágrimas,
De tantos gritos.
Vejo uma luz...
Tão longe no horizonte...
Será um farol?
Não.
É só o sol nascendo
De novo...



Jeferson Guedes

Tão alto

Como ter certeza
Sobre o que há tão alto?
Sobre o que há de tão sublime...
Nesse céu...
Que passo horas julgando
O que há de haver lá em cima.
Tão alto...
Tão alto...
Nem mesmo os pássaros sabem!
O que tem nas alturas.
Tão alto...
Tão longe...
Mas há de haver
Alguma coisa!
Tão alto...
Tão longe...
Tão distante de mim...
Eu tanto olho,
Vejo nuvens.
Vejo azul.
E o escuro à noite...
Espero um dia poder
Descobrir teus mistérios.
Doce céu dos meus sonhos...



Jeferson Guedes

Cortina do poema

Eu me agarro
Na cortina do poema.
A cortina está queimando...
Eu me agarro.
Com todas as forças!
Ela arde sobre meu corpo...
Mas eu não solto.
Eu sempre gostei
Das chamas ardendo!
No meu peito tão tristonho...
Eu me agarro no poema.
E ele me queima.
Fiz desse poema
A minha cortina.
Que não me faz...
Enxergar através da janela...
E eu me sinto bem assim.
Não conseguindo ver...
E queimando por dentro.
Ainda assim...
Eu tenho o meu poema.



Jeferson Guedes

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Eu busquei o sol

Eu busquei o sol...
Ele já não brilhava.
Eu fui aos confins...
E busquei-o só pra ti.
Pra que não se estremeça,
Com o escuro das nuvens.
Eu fui aos confins.
E o trouxe!
No bolso do meu casaco...
Mandei as nuvens pra longe,
Pro céu não chorar mais.
E sim...
O sol sempre brilhar.
Pra poder fazer...
Teus olhos brilharem...
E os meus também.
Quando me pego...
Olhando pra ti.
Eu busquei o sol...
E busquei-o só pra ti.



Jeferson Guedes

domingo, 19 de setembro de 2010

Ao Pequeno Príncipe


Oh, meu pequeno príncipe...
Viajas tanto,
Negaste teu legado.
Deixaste pra trás...
A tua rosa,
Sentes tanta falta...
Das queixas,
E do perfume.
Viajas tanto...
Viste que existem outras rosas,
Mas aquela é tudo pra ti.
Olha para o céu estrelado
Tu as vês como diamante.
E chora por não ter mais a rosa.
Vê estrelas...
Vê outras rosas.
Bem sei que,
Querias só aquela.
Viajas tanto...
Sem saber...
Viajas pra conhecer.
Não outras rosas...
Pra conhecer outros mundos...
Mas a deixaste pra trás...
E a saudade te atormenta.
Oh! Meu pequeno solitário...
Volte à sua rosa.
Bem sabes que,
Não poderás deixá-la novamente...
Sabes também que ela sente saudade
E ela não resistira ao próximo inverno...
Sem ter os teus cuidados.



Jeferson Guedes

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Divã...

Engraçado, minha família falando de pessoas que morreram na hora do almoço. Falam tanto... Até parece que não tem um corpo morto na panela... Falaram de deus... Que deus dá força pras pessoas necessitadas... Mas... Parece que eles não sabem que as pessoas morrem. É sempre assim, Sempre morrem. Os parentes choram. Ficam alguns dias... Escutando música baixinho, por estarem de luto. Mas... Passa um tempo... E voltam a ouvir músicas no ultimo volume. Sei lá. Hoje eu senti que o mundo inteiro é hipócrita. Não sei bem... Eu acho que quando eu perder uma pessoa amada... Eu não vou ficar muito tempo de luto. Não adianta estar triste. Se já foi. Já era. Não há mais vida. Se deus é tão bom... Ele devia fazer as pessoas viverem pra sempre. Mas ele fica preocupado... Por não ter lugar no mundo pra tantas pessoas vivas... E ele teria que fazer outra terra e isso daria muito trabalho. Eu queria ir antes de qualquer pessoa que gosto. Só pra não ser hipócrita. A dor... Não existe nada além da dor. Me senti egoísta, por não querer sentir a dor da perca. Então acho... Que eu nem queria estar vivo.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O mesmo de sempre

Estranho
Momento estranho
Eu tenho vontade
De esmurrar o vento
Até sangrar meus punhos
Vontade de tirar toda a dor do peito
Com um grito
Me sinto tão sozinho
Que até converso
Comigo mesmo
E discordo de tudo o que digo
Me consolo em saber
Que o tempo passa
E me entristece em saber
Que eu continuo o mesmo



Jeferson Guedes

Eu não sei

Não tenho muito a olhe oferecer.
Trago apenas meu sangue...
E um par de olhos murchos.
Por onde eu fico,
Tudo escurece.
Tudo fica mudo.
Hoje,
Não sei bem...
Eu nunca sei.
Esqueço de tudo...
Apesar de tudo...
Ainda sinto.
Ainda eu morro.
Ainda eu vivo.
Ainda sou cego...
Risos.
Hoje,
Não sei bem...
Eu nunca sei.
Não to feliz.
Nem triste.
Lembrei daquilo...
Nunca esqueço.
Mas eu nunca sei...
Só sei que sinto,
Aquilo que eu não sei.
Só sei que estou vivo.
E não sei...
Se estiver vivo
É bom ou ruim?
Só sei...
Das coisas que eu não sei.
Mas ainda,
Tenho meu sangue...
E um par de olhos murchos.
Se você quiser...



Jeferson Guedes

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Noite

Hoje,
Eu quis sentir a noite
Dentro de mim.
Quis parar pra escutar
O som de tudo...
O que estava em minha volta.
Senti a brisa,
Senti o pulsar das coisas,
Senti o escuro,
Senti tua falta.

Confesso.

(...)

Senti coisas que eu não queria.
Vi-me tão distante.
Vi-me tão frágil.
Sei que deixei cair
O espelho
E parei pra me ver
Entre os cacos.
Vi as manchas que rodeiam meus olhos...
Senti que meu coração
Apenas tristemente bate.

Não tenho certeza
Do que é feito
O meu sangue.

(...)

Sou um completo vazio
Mas sou repleto de sentimentos.
Talvez,
Eu sempre estivesse certo.
Eu sempre estivesse no caminho,
Nesse mesmo caminho
Que penso estar tão perdido...
Tão desorientado.

(...)

À noite
Que eu sinto,
Faz-me de prisioneiro
Numa masmorra.
Onde o vento só bate
Não trás nada,
Só bate...
E nunca diz nada.

(...)

Dos abraços que tive...
O teu é o mais suave,
O mais belo,
O mais certo.

Deixei o espelho cair.
Apenas por descuido.
Ele caiu.
Partiu-se em tantas verdades...
E cá estou eu
Sentindo a noite...
E a falta...

A sua falta!

(...)

Ora!
A saudade
É tão ruim...
Mas é nela
Que damos valor
As coisas.
Se não fosse ela
Aquela que eu tanto gosto...
Tanto aprecio...
Seria como
Um instrumento,
Que não sei tocar.
E só me serve de enfeite.

Em todo caso...
Tu és meu enfeite.
E deixa minha vida mais bela...
Mas tu não és qualquer enfeite.
És o que tem de mais belo no mundo!

E eu sei tocar...
Se acaso tu sejas um instrumento.

(...)

E eu ainda sinto a noite.
Sinto o barulho.
Adianto meu relógio...
Por medo do atraso,
Pra também me dar
A sensação,
Que não vai demorar tanto assim...
Pra eu voltar a revê-la.

(...)

Não consegui achar a flor...
A noite ofusca as flores,
Mesmo na primavera.

(...)

Outro aniversário passou hoje...
Outra lembrança,
Outro acaso,
Outra cólera.

(...)

Dar-te-ei tudo o que quiseres!
Só saiba como me usar.
Tire proveito...
Se aproveite mais do que eu
Desse corpo,
Que só anda por descuido,
Por tragédia,
Por um sangue imundo.

(...)

Queria poder voar pra tão longe...
E deixar pra trás tantas coisas,
Que me atormenta.
Que não me faz sentir
O que eu quero.
Pois queria sentir o dia!
Não à noite...
A noite é escura.
Meus olhos também são.
Não gosto dos meus olhos...
Como se fossem um poço
De águas turvas.

(...)

O espelho caído.
A noite caída.
Meus olhos caídos.
Meus sonhos ao chão.

(...)

Todavia,
Sei,
Que posso apanhar os cacos,
Dar outra vida à noite...
Tornar meus olhos mais vivos...
E dar vida a quimera dos meus sonhos...
Basta eu querer.
Basta eu ter mais coragem.

(...)

Silêncio tolo.
Ele me faz pensar por demais...
O barulho das coisas que não tem vida...
Que só servem de peça decorativa.
Que não servem pra quase nada.
Apenas estão ali...
E fazem barulho!

(...)

Oh! Maldita noite!
Que não me deixa descansar...
Insônia.
Pensamentos.

A noite só se torna bela...
Quando podemos abraçar
Aquela pessoa que nos faz
Sentir a saudade.
Que não é só enfeite,
Que não está ali só pra decorar,
Que está ali
Sempre ao meu lado,
Tirando-me sorrisos.
E me faz sentir feliz...
E até pensar no dito futuro...
De alimentar incertezas,
Das minhas noites de sonhos bons...
Ou das noites que não consigo fechar o olho...

(...)

Dói
Meu peito.
Doem os cacos.
Dói a vida.
Sem ti...
Dói tanto...
A minha noite.


Jeferson Guedes

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Olhar e mais nada

Custa tanto
Dizer adeus
Dizer que nunca mais
Pra nunca mais
Se perder
Pra nunca
Se achar
Custa
Desejar
Olhar
Perder
Encontrar
Agora me vejo
No meu ridículo
Estado do ser
Que eu me fiz nascer
Entre as fugas
Que tive tanto
Entre meus sonhos
Entre tudo e tão pouco
Meu medo
De acordar
E tentar viver
De acordar
E me olhar no espelho
Fraquejando outra vez
Tentando encontrar
Meus olhos
Na ponta
Da faca
Na beira
Do meu abismo
Ou no final dessa rua
Que se acaba
Por não ter saída
Olhar e ser limitado
Olhar e ver aquilo
Que eu não posso ser
Olhar e ver o que
Eu não posso mais ter
Olhar o que não me foi cedido
Olhar e ver os sonhos
Caídos,
Mortos
Não tento achar um motivo
Apenas eu guardo
Algo que me faça
Que me aqueça
Que me faça
Que me proteja
Que me faça
Ser outra pessoa
Pois essa
Que tanto escreve
Escreve
Escreve
Sem uma razão certa
Sem uma folha branca
Sem tinta na ponta da pena
Tantos momentos
Que eu só estive comigo mesmo
Contando meus passos
Caminhando
Sem saber aonde tanto
Queria chegar
Bem sei que
Tenho uma âncora
Mas ela não me deixa parado
Talvez seja muito pesada
E aos poucos me leva
Pra baixo
Tão incerto
Tão por puro desespero
E um grito
De sublime medo
Ao
Acaso
do
Momento falido
E
De olhar
O momento morto




Jeferson Guedes

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Por completo

Gosto de ti por completo.
Senão não ia gostar de fato.
Gosto de ti porque você é ti.
E a ti não existe mais ninguém igual...
Gosto de ver você sorrir...
E me debruço na janela do sol
Só pra te ver.
Risco traços nas estrelas
Só por imaginar teus olhos.
E a brisa que acorda meu rosto,
Sempre me traz um pouco do seu cheiro.
Gosto de ti
Pelo o que tu és.
Gosto de ti por completo.
Cada movimento seu...
Faz-me nascer de novo.
Faz-me sorrir de novo.
E o gosto que é tão amargo...
Torna-se tão doce.
Já que tu és o que és
E eu gosto disso
Nada alem disso.
Desde o toque ao cheiro.
Desde o canto ao corpo.
Desde tudo o que me completa.
Gosto de ti por completo...
E já não sei viver sem você.
Eu sem você seria quase,
Quase uma rosa sem o espinho.
Ou
Quase o moinho sem o vento.
Pois a rosa não fica completa
Sem o espinho.
Sem o espinho, a rosa apenas existe.
Nem o moinho não fica completo
Sem o vento.
Sem o vento, o moinho apenas existe.
E assim
Fico eu
Se você não está por perto,
Ou se não te tenho.
Eu apenas existo.
Torno-me incompleto.
Mas sorte a minha.
Hoje eu te tenho
E me sinto
Completo.




Jeferson Guedes

sábado, 4 de setembro de 2010

O desencanto do meu encanto

E aí então me surgiu o desencanto
Das coisas que eu vejo
Das coisas que eu sinto
Quem me dera
Vir-me o encanto
Uma outra vez
Das vezes que eu tremo
E aquelas mesmas que eu temo
Eu temo olhar pro nada
E eu tremo por não enxergar nada
A mesma idéia de desencanto
Queria me enganar outra vez mais
E me fazer encantado
Por um canto
Por um abraço
Por um tudo
É minha vida se finda no desencanto
Das pessoas que eu mais gostei um dia
Que hoje não me importam tanto
Diz-me que horas são
E diga que o sol vai nascer de novo
E não me trará novamente
Desencanto
Outra noite a mais
Outra vez mais
Um abraço apenas
Mais um canto
Que não seja desencanto
E sim
Pra todo o sempre
Ser o meu encanto



Jeferson Guedes

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Mais uma vez, meu divã

Eu queria direcionar esse blog só pros meus poemas... Mas é só aqui que eu me sinto a vontade pra escrever tudo o que eu penso e tals... Tipo... Quase com se fosse um divã, mas sem um pilantra chorando junto comigo, pra depois levar o meu dinheiro. Dinheiro... Eu nem me importo muito... O que eu tenho já... Pra mim já está de bom tamanho, talvez por eu só viver o agora... E estar pouco se fodendo pra porra do futuro. Sei lá... Eu já tive sonhos... Já tive ambições... Mas tudo se foi por água abaixo eu acho. Sei lá... Sei lá mesmo. É sempre uma incerteza filha da puta. Eu não lembro qual dia que acordei e não pensei em enfiar uma faca no meu pescoço... Seria como se fosse um chupão... Mas um chupão bem forte... Que não ficasse uma marca superficial... E sim que me tirasse esse sangue que eu tenho, esse sangue que eu tenho tanto nojo. Eu carrego o sangue do meu pai, e isso me traz muito nojo. Hahahahhah. Bom que se foda. Que se foda a vida... Eu não paro de ouvir essa merda de dance of days... Eu me identifico com o Nenê Altro. Acho que talvez por ele não se importar com porra nenhuma, que nem eu faço sempre... Sei lá. Foda-se. Me deu vontade de falar: FODA-SE. Sei lá porque eu to me sentindo assim... Um tanto acuado. Acho que eu to carente e preciso de um abraço. Mas não de qualquer pessoa... Eu só queria um abraço...



"eu sou aquele que nunca soube respirar... Sem sentir o sangue na garganta"

Sozinho

Eu fico pensando

Eu sou sozinho porque eu quero

Não preciso de ninguém

Eu jamais precisei

E eu me prendo a algo que eu sei

Que vai me deixar sozinho

Acho que eu gosto de ser assim

Me sinto um tanto feliz por isso

De saber que eu vou ficar outra vez sozinho

De saber que o fim é sempre o mesmo



Jeferson Guedes

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Ferida amarga

A minha mãe assoprava meus machucados.
Ela dizia que ia parar a dor.
E mesmo latejando...
A dor eu já não sentia tanto.
Saudades daqueles tempos...
Tempos de criança boba, inocente.
Que a minha mãe me trazia doces,
Pra minha boca não se tornar amarga.
Mas agora...
Tão adulto e triste eu sou.
E minhas feridas...
Crescem mais todo dia...
A minha mãe já não as assopra.
E nem quero que a dor passe.
A dor que nunca passa.
E a minha boca se torna amarga,
Por causa da bebida e do cigarro.
Nem doce.
Nem assopro.
Eu me tornei uma ferida amarga.
Que por mais que os dias passem...
Essa ferida do que eu sou hoje...
Com o passar do tempo...
Só mais cresce.


Jeferson Guedes

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Agora já não me perco

Lembro das vezes
Que apaguei a luz só por gosto
De me perder no escuro.
Na falsa direção
De um simples olhar
Me atirei.
Como se todo o mundo
Estivesse caindo
Pra fora do plano.
Achei a direção certa agora.
Agora consigo andar
De olhos fechados.
Mesmo que o mundo caia.
Mesmo que tudo caia.
Mesmo que tudo seja tão escuro.
Eu continuo seguindo essa estrada...
E é a minha estrada!
Para os caminhos que desconheço.
Já não tenho mais medo de seguir.
E me atiro mais uma vez...
Na direção de um simples olhar.
Que clareia mais um caminho.
Que eu faço nascer
De simples momentos...


Jeferson Guedes

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Quem me dera ser poeta

Fica bem...
Ela sempre diz isso.
Ela sabe que eu não sei o que é ficar bem.
Eu gosto tanto de passar os dedos no cabelo dela.
Ela também gosta, eu sinto.
Depois que ela se vai...
O céu pra mim, já não tem o mesmo brilho.
Eu olho pra cima.
Vejo somente o céu.
Sem nenhum doce, sem nenhum sorriso.
Ontem eu cheguei em casa lá por meia-noite.
Sentei lá fora, no escuro do meu céu.
Acendi um cigarro.
Pensei: “nunca mais vou fumar de volta”.
Menti outra vez,
Pra mim mesmo.
Eu sempre penso tanto, antes de agir.
Mas nunca penso tanto, quando acendo outro cigarro.
Tantas reflexões sobre o céu.
E eu nunca vi Andrômeda.
O meu anjo da guarda caiu das nuvens, já sem vida.
Eu fiquei de preto,
Não por luto pelo meu anjo morto,
É que eu sempre uso preto.




Como disse Pessoa (meu poeta preferido):

“O mistério das alturas
Desfaz-se em ritmos sem forma
Nas desregradas negruras
Com que o ar se treva torna.”

O meu ar sempre se treva torna.
Talvez por eu não me atrever tanto.
E deixar que a minha vida se torne pranto.






Quem me dera ser poeta

Oh, quem me dera ser poeta!
Pra dizer tudo o que penso,
Que nem eu mesmo entendendo.
Faça
Aparecer do fundo do meu lamento,
Tudo o que eu sinto.
E o que penso.

Acho que das palavras,
Não sou tão bom assim...
E eu só espero
Que saibas,
Que no extremo do meu peito,
Bate um coração
Com tanto desespero
E ele bate
Apenas por ti.





Jeferson Guedes

domingo, 29 de agosto de 2010

Poema daquele dia

As respostas sempre mudam de sentido
E sempre o vento também muda de sentido
Mas o sentimento é sempre o mesmo
Quem sabe eu ache a minha verdade
Atrás de qualquer sorriso
Atrás de qualquer gole de vinho
Na minha cabeça
Sempre tem um poema
Sempre penso nos versos
Que me fazem bem
Talvez a tua clareza
Me traga a paz da certeza
De não ficar tão só
Deixo meus dedos
Falarem por mim
Deixo a tua boca
Calar os meus desejos
E eu deixo me lembrar
De outro poema
E depois que passa o momento
Lembro daqueles mesmos versos
Daquele mesmo poema
Daquele mesmo dia
Já passado
Já vivido
Mas não morto
Pois os poetas
Os poetas
São eternos



Jeferson Guedes

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Sorri por descaso

Eu sorri
Por descaso
Eu me vi
Nos teus olhos
Virei pra outro lado
Pra disfarçar
Mas eu ainda
Sentia você me olhando
Eu sorri
Por descaso
Desmanchei
O meu cabelo
Te puxei pra
Um canto
Também desmanchei
O teu cabelo
Quando te beijava
Me senti
Sujo e imundo
Por sentir
As coisas mundanas
Não me senti
Culpado
Mas
Eu apenas
Sorri
Por descaso


Jeferson Guedes

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O bater das nossas asas

Ninguém nos conhece
Nem nós mesmos
Tentamos fingir toda hora
Mas nós sabemos
O que acontece
Quando fechamos os olhos
Sabemos
Tentamos fugir toda hora
Quem sabe,
Nós erramos
Essa não era a hora certa
Fingimos tanto...
Sabemos o que há no fundo
No fundo do peito
Carrego apenas um corte
Mal feito
De tantos sentimentos
Com uma tatuagem de algum pássaro
Que nem eu sei qual é
Não sei se o pássaro canta
Bem sei
Tem asas
E por isso é um pássaro
Certa vez
Pensei
Que tu ouvisse o bater das asas
Não era o pássaro
E sim
Meu coração
Batia tão acelerado
Nós fingimos
Não ouvir
Sei que
Ouvia também o bater
Das suas asas
Bem sei também
Era teu coração
Bem que
Podíamos ter voado mais alto
Podíamos ter nos afastado de tudo
É...
Um tiro
Os pássaros caíram
Mas continuam voando
E mesmo assim
Continuamos estar fingindo
Não ouvir o bater das asas
Sim...
Elas ainda batem
Dentro do meu peito
E dentro do seu
É um bater não tão forte
Os pássaros estão apenas
Sentindo o vento
E voando pra qualquer lado
Sim...
Eles irão pousar um dia
Ninguém pode voar pra sempre
Sei que
Vou me abrigar em qualquer galho
E sei
Você estará ao meu lado
Mas nesse tempo
Percorrido
Por esse céu azul
E às vezes estrelado
Estamos fingindo
Não estarmos
Mais voando




Jeferson Guedes

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Talvez meus passos

Aquela noite
Voltei pra casa
Com os olhos
Mirados ao chão
Meus passos
Seguindo
Com tanto descompasso
Mas só olhava pro chão
Não sei bem
Parecia que eu procurava
Mas não sabia o que era
Naquele trecho
Naquele chão
Meus passos
Perdidos
Caminhando
Procurando
O caminho de casa
Não sei
Aquela noite
Senti
Que
Me faltava algo
Algo que eu nunca tive
Eu sei que faltava
Eu olhava só pro chão
E não achava nada
Meus passos
Trilhados
Aquela noite
Não tinha certeza
Que ia conseguir dormir
Aquela noite
Alguma coisa me faltava
Mas não estava naquele chão
Naquele caminho
Que eu voltava
Naquele espaço
De tempo
De tudo aquilo
Que me assombrava
Sei que algo faltava
Acho que eu deveria
Não ter olhado pra baixo
E sim olhado pra cima
Que só as estrelas
Me deram segurança
Por todos esses anos
De tantos passos
Driblados
De tantos passos
Em vão
Talvez
Se tivesse olhado
Praquele céu
Eu teria voltado
Não teria perdido
Aquilo que eu mesmo
Não sei ao certo
Sei que perdi
Algo que eu nunca tive
Aquela noite
Ah, se eu tivesse olhado
Pra cima e não pra baixo
Talvez
Meus passos
Não me deixariam
Perdido
E sim
Ter
Te encontrado


Jeferson Guedes

É tão fácil

É tão fácil
Sofrer
É tão fácil
Deixar de sofrer
Às vezes eu me pergunto...
Porque não deixo de sofrer?
Ora! A vida não é bem assim...
Pessoas, lembranças...
Tudo na vida
Morre
Por culpa do tempo
Ou doença
Se da vida eu só tiro cortes
Não sei...
Porque não dar fim...
Não sei até quando vou conseguir
Todos os dias...
Eu tiro alguma farpa
Alguma recordação
Alguma impossibilidade
De sorrir
De dar "bom dia"
De tentar parar de fumar...
Parar de beber tanto...
Mas sempre me atiro nisso
Mudo minhas idéias
Rápido demais
Mas já estive bem...
Não faz muito tempo...
Mas não sei o que pensar
Só sei
O que é morrer
O que é sofrer
O que é corte
Ora!
Já me tiraste sorriso!
Tu sabes que eu falo isso da boca pra fora
Tu sabes que és meu tudo!
Bom...
De ti tenho boas recordações
E quando te tinha em meus braços
Eu era feliz
Era feliz e não sabia
Pois bem...
Não quero mais voltar
Acho que felicidade
Eu não mereço
Ora!
Me dá um abraço
Ou um tiro!
Já estou cansado
De tudo isso...



Jeferson Guedes

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Garotos não choram


Então, meus caros leitores, esse texto que vou postar... É de autoria de um grande amigo meu, que não deixa de ser um ótimo escritor! Mas ele prefere ser um "escritor de gaveta" (rsrsrs), pois bem... Ele fez essa crônica pra mim... Bem sei, que, não mereço... Não mereço mesmo... Mas aceitei de todo o meu coração. Demorei pra postar... Desculpa, Toni. Mas eis aqui, teu texto que tanto me encantou, obrigado de coração.


Garotos não choram


Assim como Ícaro segue rumo ao sol, e não podendo confiar em suas asas, imos rumo ao que nos é concebido e te peço que traga um pouco de sombra, apenas.
Vê que não te peço ilusão?
Faz parte de alguns de meus passos em que estivemos vivos e por meio deste, não venho lhe consagrar e nem pedir ou medir nem encontrar outro alguém de tua iguala, um alguém com o teu nível de pudor, ou indiferença... Porque todo horizonte é vasto de incerteza e somos essas pessoas que o vento chama ou que grandes tribos rejeitariam.
Mas nestes instantes em que nossas almas estiveram em alto nível de perseverança em insanidade perpleta, sou incerto até eu dizer que és uma pessoa em que deposito grande e vasta saudade de tempos, uma certa nostalgia infinita em que podemos tirar dias a contar...
És meu melhor amigo, isso pode não parecer assim tão perceptível, mas é! Assim que lhe identifico “na palidez desse pessoal”.
Não encare isso como linguagem ou consolação.
És um grande amigo que tenho e só por hoje saiba disso.
Mesmo que não creia em que eu creio.
Mesmo que não possuímos o mesmo Deus...
Apesar de tudo isso.
Sempre traga suas sombras, apenas...
Somente isto, faz com que você se diferencie dos outros e nossa passagem continue sem saber até onde vamos – de instintos diferentes, mas a rebeldia devasta, considero você como meu irmão, só que nunca moramos juntos isso é o que difere apenas.
Esta noite acaba assim.
Mas amanhã meus pés novamente pisarão ao chão, como sei que estará lá...
Nossa corrente é feita de instantes, mas estes já são caóticos do resto que sobra...
Nossa misericórdia se difere.
Mas sincronizamos o mesmo timbre e talvez levemos apenas isso para nosso tumulo, do resto de nossas vidas... Este dia vai chegar e quem irá levar antes, estaremos lá e lhe direi adeus, apenas isso como um último “falo cara” e me virarei, saindo com passos, em bestos de ausência de suas sombras...
E num ultimo adeus, choverá em nossa sentença.
E partirá... Levando sóbrias lembranças e eternas doses e neste dia estarei lá!
Fecharei meus olhos e deixarei a chuva cair sobre meu rosto.
Somente a chuva...


Porque garotos?
Não, garotos não choram.


Toni,
08/07/2010


"Early one morning
With time to kill
I borrowed Jebb's rifle
And sat on a hill
I saw a lone rider
Crossing the plain
I drew a bead on him
To practice my aim"

Johnny Cash - I Hung My Head

É...

Ontem uma garota se matou. Ela tirou a vida por causa de amor. Não sei ao certo o que aconteceu. Ela apenas puxou o gatilho da arma dentro da boca. Ela morreu. É um ato supremo. É um ato talvez pensado. Deixou de viver, deixou de sentir. Não sei ao certo o que aconteceu comigo, aquela hora que eu fiquei sabendo do fato. Eu nem conhecia ela. Sei que senti algo terrível dentro de mim. Até senti um pouco de inveja pela coragem que ela teve. É... Alguns sentimentos são mais fortes do que a vontade de viver por eles.


Jeferson Guedes

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Uma parte da lembrança

Estranho tentar entender...
Logo, era tudo.
Logo, era nada.
Agora não sei
O que vou guardar.
Não sei se vou conseguir
Guardar alguma coisa.
Daquela outra vez
Que tentei,
Ela se escondeu de mim.
Ora! Tive momentos que foram dádivas!
Ora... Tudo passa...
De quase nada vale guardar as coisas.
Se já estão tão mortas
Dentro de mim.
Nada me vale guardar coisas mortas.
Mas mesmo assim.
Mesmo que se esconda...
Nem que seja
Uma parte da lembrança.
Mesmo que já não esteja viva.
Essa parte da lembrança.
Ainda assim...
Eu guardo.



Jeferson Guedes

Um desabafo apenas

Hoje eu acordei sentindo alguma coisa errada, bom na verdade nem acordei... Apenas levantei da cama... Não consegui dormir nem por cinco minutos. Essa noite me fez lembrar de tantas coisas... De tantos rostos, de tantos momentos. Senti que esse não é o meu lugar, senti que praticamente nada vale a pena. Levantei com tanta vontade de gritar e sair correndo, pro lado contrário da onde que o sol nasce só pra ter a sensação que o dia não ia raiar de volta... Eu fiz um chá, fumei um cigarro. Fiquei olhando o céu ficar cada vez mais claro. Lembrei uma época atrás. Que eu não pensava tanto. Senti uma falta tremenda de pessoas que eu mais quero bem. E eu não estou mais perto, acho que nunca mais vou estar perto. É... A vida é estranha, feita de momentos estranhos. Momentos errados. Ontem eu pensei em tantas coisas pra escrever. Mas estava tão desanimado. E não escrevi nada. Ontem minha mãe ligou pra mim de volta... Eu não atendi ao telefone. Não queria que ela sentisse que eu não estou bem. Esses dias eu chorei... Chorei de tanto vomitar. Não tirei nem um proveito disso. Só mais incerteza, que preenche os meus olhos todos os dias... Só sei que, da vida... Não espero quase nada. Tudo o que espero se vai... Se vai...

“Que só tua paz pode tomar minhas mãos e me tirar do escuro... Pois nem imagino quanto se passou desde que deixei de contar os muros. E nem sei mais se sigo ou desisto e grito só... Entre os surdos.”



Jeferson Guedes

sábado, 21 de agosto de 2010

Pontos tristes e brilhantes no céu

- Pra quê chorar pelas estrelas?

- Não sei, elas me encantam.

- Elas também me encantam. Mas não choro por elas.

- Eu preciso tanto delas...

- Já eu, queria o céu mais escuro.

- Porque pensa assim?

- Pra você não chorar mais.

- Eu não choro pelas estrelas.

- Então por que escorrem tantas lágrimas?

- Eu não sei... Talvez por elas existirem em tantos céus que já estive.

- Queria poder sentir esses seus outros céus estrelados.

- O que são as estrelas pra ti?

- São apenas pontos tristes e brilhantes no céu.

- E pra ti?

- São as mesmas coisas que disse. E por isso tanto me encantam.


Logo, eu também chorei pelas estrelas.


Jeferson Guedes

Triste o momento que se finda

Triste o momento
Que se finda
Vivemos apenas
Pra guardar lembranças
Daquilo
Que já passou
Daquilo
Que já não temos



Jeferson Guedes

Meu vazio

A cada dia
Tudo passa
Quase tudo
Já não é tanto
(...)
É só no vazio
Que encontramos
Algum espaço
Pra guardar
Nossos sorrisos
Nossas lembranças
Nossos sonhos
(...)
Os dias passam
É o ciclo da vida
A cada dia
Tudo passa
Pouca coisa
Fica guardada
Nesse vazio
Nesse ciclo
(...)
Ciclo que dá a vida
Ao vazio
Que sinto
Ao vazio
Que te guardo
(...)
No vazio
Que criamos
Colocamos
O que somos
O que vivemos
O que queremos
O que perdemos
(...)
“Que silêncio...”
O silêncio
Tantas vezes incomoda
Mas eu
Eu me sinto tão bem
Nas horas
Que não ouço nada
(...)
Nessas horas
É que começo
A preencher
O meu vazio
Que nunca fica cheio
E sim
Sempre meio vazio
A cada dia que passa
(...)
Não sei o que vou encontrar
No caminho que me faço
Quem me dera poder ser virtude
Mas bem sei
É serpente
(...)
Espero te rever
Nesse vazio
Que te guardo
Que é tão imenso
Quão o universo
(...)
E espero
Não te perder
Outra vez
Nem
Te guardar
E sim
Te voltar a viver
Nesse mesmo dia
Nesse exato
Momento
(...)
Os dias passam
Meu tempo
Já não é mais
Enquanto isso
Só me resta
O silêncio
E o meu vazio
Que a cada dia
Fica maior
Sem ter você
Por perto




Jeferson Guedes

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Eu e teus olhares

Sou muitos
Entretanto
Sou eu apenas
Sou apenas eu
Mas sou tantos
Sou eu
Sozinho
Desfigurando a paisagem
Desfigurando meu rosto
Tento encontrar
Através de ti
Um único olhar
Que me faça
Entender o que sou
Ou compreender
Sou eu sozinho
Buscando nos teus olhos
Alguma realidade
Que seja real
Que seja eterna
Que não se dissolva
Em outra paisagem
Que mudo as cores
Apenas por mudar
Faço o arco-íris
Ficar negro
Não quero mais isso
Sou eu sozinho
E através de ti
Quase consigo
Me realizar
Achar a realidade
Na paisagem
Dos teus olhos
Mas são tantos olhares
E eu sei
É apenas um
São os teus olhos
E eu
Sou apenas eu
Sozinho



Jeferson Guedes

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Uma lembrança dos peixes

Minha mãe se preocupava comigo. Ela dizia que eu tinha que ir atrás de tratamento psicológico. Eu dizia que não precisava disso, apenas queria mudar ao meu modo, seguir o meu próprio vento, ver as coisas do jeito que são com meus próprios olhos. Ela não entendia muito bem... Ela me achava infeliz ou ainda acha. Mas acho que não sou infeliz. Apenas sinto o meu próprio vento. Eu sigo os meus próprios desejos. Uma vez quando era criança ela me levou pra olhar uns peixes alaranjados no Passeio Público de Curitiba, há uns dois anos atrás eu voltei lá... Eu sempre ia lá... Mas daquela vez eu lembrei da minha mãe atirando pipoca aos peixes alaranjados. E aquele dia... Eu os procurei... Eles não estavam mais lá... Eu pensei, devem estar mortos... Afinal de contas... Eram peixes e só comiam pipocas que as pessoas jogavam. Será que as pessoas pararam de jogar pipoca e eles morreram de fome? Eu não sei... Sei que eles não habitam mais aquele lugar. Eu acho que é as outras pessoas que precisam de tratamento e não eu. Porque eu nunca joguei pipoca e nem nada pros peixes. Mas mesmo assim... Eles não estão mais naquelas águas daquele parque. Ou talvez pela forma de eu enxergar as coisas... Não consegui mais ver os peixes.



Jeferson Guedes

Tu és a boca que desnudo

Tu és a boca

Que desnudo

É o frio que sinto

Quando não te tenho

É o calor

Quando te encontro

És meu sangue fluindo

Tu és o bom

Do que eu sinto

E também

É o meu medo

O medo que gosto de sentir

Tu és tudo

Sim, és meu tudo

Meu tudo completo

Tu és a gota de orvalho

Que acorda a flor

É a cura da minha angustia

Tu és a minha cura

E tudo o que penso

É voltado a ti

Meus pensamentos são teus

Meu coração também não deixa de ser

Espero que não deixe de ser

Meu pulsar é mais rápido

Quando te respiro

Tu és a boca

Que desnudo

A voz que não canso

De ouvir

É meu tudo

Tu és meu tudo

Que desnudo

E talvez não seja em vão

Pois de incerteza

Eu sempre vivo

Tu és meu melhor motivo

Pra sentir

Tu és a boca

Que desnudo





Jeferson Guedes

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Medo no final da tarde

Eu não gosto
Quando meus olhos
Sentem medo
No final da tarde
Estremecem
Sem ter motivo
Sem ter razão
Devo estar errando
Outra vez
Devo estar alimentando
Meus sonhos
E se o medo
Mais uma vez voltar
Num final de tarde qualquer
Não tenho mais
Pra onde correr
Pra onde me esconder
Não quero mais
Ter que me esconder
E correr pra qualquer lugar
Que venha tudo
Que venha o medo
O medo de errar
O medo de sofrer
O medo de sonhar
Outra vez eu erro
Sei que erro
Sempre errei
Sempre senti medo
Meus olhos estão trêmulos
E eu não sei de novo
Esse motivo
No final da tarde
Eu não sei

Eu nunca sei



Jeferson Guedes

sábado, 14 de agosto de 2010

Ilusão

Meus pensamentos
São os meus pesares
Minha vida
É a pedrada
Oh! O que seria?
Não, não seria nada
Dos adjetivos
Que fujo
De todas as janelas
Todas elas quebradas
A porta está aberta
Pode entrar
Não precisa bater nela
Ela já está aberta
Hora é, como espelho
Hora é, como meu sonho
Hora é, estrela apagada
Hora é, aurora da madrugada
Virtudes tolas
Cheias de coisas estranhas
Teus olhos são castanhos
Como o meu cinzeiro
Que não tem espaço
Mais pras cinzas
Agora só cabem as lágrimas
Vejo tudo
Tudo me agrada
Na verdade não
Tudo me degrada
Do chão
Ao coração
Do coração
A erosão
Sou quase cego
Não me importo
Se tudo que vejo
Tudo me degrada
Tudo é pedrada
Tudo é janela quebrada
Tudo é sonho
Tudo é só ilusão



Jeferson Guedes

Da minha tormenta

Oh! Paz!
Tu me atormentas
Nunca tive calmaria
Sempre tempestade

Agora eu paro
Diante do mar
Que não se revolta
Diante de mim

Às vezes eu me confundo
Com a alegria
Às vezes eu choro
Só por gosto

Oh! Paz!
Não queria tê-la
Queria tempestade
Queria tormenta

Mas de tão já
Me confundo
Com essa alegria
De poder voltar

Praquele mesmo cais
De outros vendavais
Que de tão já
Não me atormenta mais

E essa brisa
Que surge
De tão já
Não me deixa
Me perder
Não me deixa
Naufragar
Não me deixa
Mais chorar


Jeferson Guedes

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Nos perdemos num só

O vento agora
Não se torna
Tão gelado
Mesmo assim
Não sinto meus passos
Eles se perdem
Muito antes de mim
Minhas pegadas
Se confundiram
Com as tuas
E acabamos
Nos transformando
Num só
Mas somos um só
E não estamos
Sozinhos
Apenas
Nossos caminhos
Se cruzaram
Ou se perderam
Com nós mesmos


Jeferson Guedes

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Esboço de nada

Nunca me sinto feliz
e nenhum pouco satisfeito.
Acho que não consigo tirar
nem da bebida
mais um riso.
Das certezas que já tive,
hoje eu vejo tudo errado.
(...)
Eu sou só isso.
(...)
Cheio de cortes
e pontos queimados.
Já carrego essas marcas
por muito tempo.
Eu já me aturo
por muito tempo.
(...)
Tudo incerto.
Tudo escuro.
Tudo quieto.
Tudo imperfeito.
(...)
Tudo me traz a perca.
Tudo não me deixa pensar.
Tudo é uma grande farsa.
O meu tudo não é nada.
(...)
Tudo incerto.
Tudo escuro.
Tudo quieto.
Tudo imperfeito.



Jeferson Guedes

domingo, 8 de agosto de 2010

Dos sonhos que já não tenho

Tudo no escuro
Assombra-me
E não consigo ficar
De olhos fechados
Não queria viver
Não queria morrer
Queria ficar parado
Queria apenas teu ombro
Pra poder me sentir seguro
Nesse escuro
Onde tanto
Procuro-me
Onde tanto
Reviro-me
Onde tanto
Não te encontro
Se daquela noite
Que eu me detinha
Junto de ti
Eu via estrelas
Via constelações
Dentro dos teus olhos
Dentro do teu coração
Toquei tal canção
Que hoje eu só lembro
Nos sonhos
Não consigo dormir
Tu foste pra mim
Meus sonhos
Tu foste
Naquele momento
Bem mais
Do que eu
Preciso
Bem mais
Do que eu
Desejo
Bem mais
Dos sonhos
Que já
Não tenho


Jeferson Guedes

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

As penas dos anjos

Nessa vida os anjos não tocam corneta
Nem flauta
Nessa vida os anjos fumam
E se drogam
Aqui deus não é acolhedor
E nem te perdoa de nada
Aqui deus nada mais é que um mendigo
Que pede esmola
Nessa vida os bons não têm vida
Aqui os bons são mortos na praça
Aqui tudo é desigual
Um tem tudo
Meia dúzia não tem nada
Aqui se faz um texto
Cheio de mágoa
Mas a mágoa que surgiu aqui
Surgiu da raiva
Aqui seus amigos são apenas amigos
Na guerra ninguém ama ninguém
E nem mesmo aqui
Na paz mórbida
Ninguém te salva
Ninguém te ama
Saturno devorava os filhos
Cristo deu a vida
Caim sacrificou o irmão (se não me engano)
Ou foi o filho?
Bom...
Isso não importa
Quando eu era criança
Eu assisti um filme sobre a páscoa
Lembro que quando cristo
Estava sendo crucificado
Ele disse
“Oh! Pai porque me abandonaste?!”
Eu lembro da expressão que o ator fez...
Ele representou muito bem aquela cena
Foi um puro desespero
Sei lá
Guardei isso comigo
Aquela cena
Talvez por culpa do meu pai
Ele me abandonou e me crucificou também
A viver essa vida de desconfiança
Depois disso...
Nem na minha mãe confiei mais
Aqui os anjos não tocam harpa
E sim cheiram cola
Anjos são aqueles que buscam alguma coisa
Mesmo que nunca encontrem
Mesmo que a busca seja em vão
Aqui deus não é todo poderoso
Ele quer apenas seu dinheiro
Para comprar alguma coisa forte
Pra poder dormir na calçada
Aqui nesse texto
Não tem glória
Aqui não tem misericórdia
Aqui só tem mágoa
Mágoa da revolta
Raiva por ter sido deixado
Raiva que se transformou em meu abismo
Que meu abismo tem chão, eu sei
Mas não tem escada
Aqui os anjos não dizem amém
Aqui não tem anjo da guarda
Aqui tem apenas vícios
Aqui não tem mais nada
Aqui os anjos perderam as asas
Ou acho que as asas estão quebradas
Pois nunca vi algum anjo voando
Aqui nesse texto
Eu declaro
Tudo que eu sinto
É o cheiro das penas
Queimando com o meu cigarro



Jeferson Guedes

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Cor dos olhos (falsidade ou sei lá)

Eu não minto
Exceto pra mim mesmo
As pessoas são falsas
E isso é verdade
Pelo menos não escondo
A cor dos meus olhos
Se bem que,
Não sei se são pretos
Ou castanhos
Se ela se deita
Eu não resisto
Queria poder resistir
Mas o pecado
É o que mais me atrai
Traição
Somos fruto disso
Pois somos falsos
A vida é traição
A vida é apunhalada
Oh! Maldição
Não resisti novamente...
Ela se deitou
O corpo dela é tão delicado
Pensava que,
Sei lá
Ocorriam coisas estranhas
Coisas que não tem razão
Mas aconteciam a todo instante
Meu infinito
Se limita na parede
Mas eu faço da parede
Não meu limite
E sim possibilidade
De viver sozinho
De ir apenas atrás de outro corpo gelado
Que se dispersa
De manhã cedo
Uma vez eu pensei
Ela ainda dorme
O que será que eu faço?
Será que eu vou embora?
Será que eu vou amá-la de volta?
Eu sempre fiquei um pouco mais
Enganando...
Um pouco mais
E vivo enganando
E sendo enganado
Por isso
Pessoas são falsas
Ela não se deitou comigo aquela noite
Ela queria
Eu sei que queria
Mas não se deitou
Se fez de difícil
E na outra enluarada
Se entregou
Ela sabia que não ia resistir
Eu também sabia
Mas aquela noite
Ela não quis
Ela foi falsa
Eu fui falso
Me fiz de apaixonado
Ela sabia
Que eu estava mentindo
Ela sabia que eu não presto
Ela não seguiu o conselho das amigas
Ela escondeu a cor dos seus olhos.
E me deu o sorriso
Eu dei outro sorriso a ela também
Mas ela já me conhecia...
Faz muito tempo...
E sabia que eu não era flor que se cheire
Eu não conhecia muito bem ela
Ela podia me passar veneno através do pólen
Vai saber...
Só sei que
Não vi mais ela
Eu não quis mais ver
Ela era falsa demais
Ela disse:
“eu te amo”
Eu não acreditei nisso
Ou podia ser real?
Sei também
Ela só foi outra
Podia ser a única
Mas ela
Me escondeu a cor dos seus olhos
Eu nunca lembrei de alguém
Que não me deixou
Ver os olhos
É um lado da falsidade que eu admiro
Eu deixo ver a cor dos meus olhos
Mas nem sei que cores são
Não sei que horas são
Eu digo
Acho que eu vou embora
Ta ficando tarde
Ela chora
Ela sente que
Eu não vou mais voltar
Eu moro longe dela
Ela sabe que nunca vai me ver de volta
Ela fez por merecer
Não me deixou ver a cor
Ela fechou os olhos



Jeferson Guedes

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Esse eu (eu me olhando fora de mim)

Certa noite,
De tantos devaneios.
Acabei me encontrando
Comigo mesmo.
Era eu!
E eu não sabia.
O eu que me encontrou
Me viu sentado no chão...
Sentindo frio.
Esse eu sentiu pena.
Eu estava chorando.
Então o eu
Me abraçou..
E sentiu as mágoas
Que me corroia tanto...
Sentiu o que eu sentia.
Esse eu
Também sentiu
O frio
Que eu carregava.
Então esse eu
Bebeu da minha garrafa...
E chorou comigo.
No meio do relento
Ou no meio de nada.
Naquela noite
Eu já não pensava
E o outro
Deixou de pensar.
O eu chorou comigo!
Diante dos olhos da rua.
No meio em que tudo
Nos encontrava.
Esse eu
Nunca mais me deixou.
Esse eu
Viveu comigo
A vida inteira.
O eu que me via
Nunca me abandonou.
O eu que chorava
Jamais me deixou
Sentindo o frio sozinho.
Naquela certa noite
Em que tudo
De mim
Desmoronava.




Jeferson Guedes

domingo, 1 de agosto de 2010

Vida tão doida (Vida de acasos)

Essa vida é tão doida.
Feita de tantos acasos...
Nada tão planejado,
E muda tão rápido.

Pena não poder
Mudar o presente.
Pois já pereceram
Tantos acasos.

Tudo tão biológico.
E eu tento ver certo lirismo
Nesses dias...
Mas não consigo.

Quem sabe,
Eu conseguiria
Enxergar
O lirismo dos dias.

Se qualquer acaso...
Pudesse te trazer
De volta
Ao meu lado.


Jeferson Guedes

sábado, 31 de julho de 2010

Para te perder

Hoje,
Já não desejo tanto.
A morte tão sonhada...
Que me vem
Para lembrar.
Do que eu nasci para ser.
Daquilo que eu sou.
Daquilo que tive que ser.
Dos dias de tantas lembranças...
Do rosto que nunca tive perto.
Do vento que sentia tão pouco.
Oh! Quem me dera
Esquecer dessa dor?
Só me entrego
As lastimas.
Que nem mesmo
Da morte.
Tenho mais apreço.
Sigo meus dias.
Correndo.
Olhando.
Relendo.
Sentindo, que
Dessa morte
Que tanto me agradava.
Ela virá sozinha.
Sem eu mesmo ter a buscado.
E eu também estive tão só
Por tantos dias...
Ela virá me fazer companhia.
E me levará
Na calada da noite.
Espero que
Me traga vinho.
E eu te darei um cigarro.
Irá ser o ultimo adeus...
Daquilo que já não
Espero.
Oh! Dor!
Que me faz esquecer da outra!
Esquecer até
Que nasci para morrer.
Nasci pra ser levado pra longe.
Nasci para esquecer.
Nasci para te perder.


Jeferson Guedes

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Fotos

Não faço questão
Em tirar fotos.
Acho que não gosto
De eternizar momentos.

Momentos passam...
As lembranças ficam...
E não quero lembrar
De como eu fui um dia.

Não vejo o motivo
Em ficar rasgando o tempo,
Com lembranças falsas.
Sempre me vejo no agora
E não em fotos do passado...

Aprendi a ser tão frio
Quanto o gelo.
Tanto faz...
Agora eu,
De meus...
Empecilhos lembrados.

Sempre uma velha,
Nova mágoa...
Sinto-me falso
Quando me vejo
Sorrindo em fotos.



Jeferson Guedes

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Das coisas que não sou

Sou romântico;
Sem sentir amor.
Sou o vento;
Sem trazer a flor.

Sou a palavra;
Que não produz som.
Sou os dias;
Que nunca se vão.

Sou alguém;
Que não chora.
Sou a lagrima;
Que fica guardada.

Sou o corpo;
Mas sem a alma.
Sou a chuva;
Que a nuvem não trouxe.

Sou o irmão;
Que nunca fez nada.
Sou a paz;
Que é encarcerada.

Sou intenso;
Mas não sou nada.
Sou um rosto;
Em qualquer lugar que seja.

Sou o sentimento;
Que não se acalma.
Sou o rio;
Que não tem água.

Sou o divino;
Que não acredito.
Sou dos prazeres;
O pior deles.

Sou a vida;
Que não se importa.
Sou a árvore;
Que se corta.

Sou as luzes;
Que ficam ofuscadas.
A calmaria;
Sou tormento.

Sou,
Outras coisas;
Que não morrem.
Não vivem.
Não existem.
Aos olhares
De outras
Que sobem as escadas.


Jeferson Guedes

terça-feira, 27 de julho de 2010

Vê aqueles cacos no chão? – Sim, os vejo. - Pois bem, eram meus sonhos.

- Tenho certeza disso.
- Certeza do que?
- Que ainda eu não sei.

Seriam dos sonhos, os planos?
Ou é só ver o tempo passar...
E esperar que o destino se cumpra.
Daquilo que nós não sabemos...

Será que a vida, é fuga?
Seria certo dizer, que
Correr pra qualquer lado...
É o mais justo a se fazer?

Conversar com qualquer pessoa...
Seria se prender?
Ou seria ser dela a mesma coisa?
Ser apenas outra pessoa na calçada...

Se já vi meu grande amor...
Passar por mim...
E eu não ter notado.
Será que ela é a certa?

Apenas não sei.
Se já alimentei meus sonhos.
Atirando os no fogo
E arrancando suas entranhas.

Será da dor que sinto hoje...
É a anestesia
Do que eu posso sentir?
De mais um rosto na calçada...

Acho que tu és a pessoa certa nessas horas...
Que me vejo tão perdido...
Reclamando da vida...
Achando qualquer outro desperdício...
De tempo;
De sonhos;
De planos;

Tu és a pessoa certa...
Nessas horas.
Em que lhe pergunto:
- Vê aqueles cacos no chão?
- Sim, os vejo.
- Pois bem, eram meus sonhos.
- Ah, pára de se queixar. Beba mais um pouco!


Jeferson Guedes

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sonhar com asas

Tenho dormido pouco.
Ultimamente tenho pensado por muito.
Às vezes pensar não é bom...
Quão poder sonhar...
Ah, se da vida pudesse tirar um sonho.
Ah, se da vida pudesse viver sonhando.
Acho que sonharia, eu com asas...
E passaria a vida voando
Com os olhos fechados.
Olhando as pessoas de cima.
Mesmo estando com os olhos fechados.
E acho que não me importaria
Com tantas mentiras...
Ah, que pena.
Estou tão acordado.


Jeferson Guedes

domingo, 25 de julho de 2010

Voltar, quão pelo tempo ou pela distância

Tu devias voltar...
Tu não podias ter ido.
Depois que se fora,
Além destes olhos...
Quase não acreditei.
Queria poder me cegar.

Tu devias...
Não ter ido.
Não ter fugido.
Devias ter resgatado...
Em meus olhos
Aquele mesmo brilho.

Que tive quando criança.
Tu me fazias
Sentir...
Meus dez anos
De infância.

Devia ser...
Pela inocência.
Que tu me passavas.
Que eu sentia.

Mas tão já.
Me acho adulto
Triste.
Eu me tornar adulto.
E não ter um brilho
De criança.

Tu já se fora...
Faz tanto tempo.
Tantos raios já caíram...
Tantas casas se ergueram...

Pra mim.
É tudo tão igual...
A claridade do relâmpago.
E pra mim
São as mesmas construções.

Já que você se fora...
Pra tão além dos mares.
Pra tão além dos vales.
Pra tão além das depressões.

Arrisco minha vida
Em versos.
Tu devias voltar...
Pra não me deixar
Viver apenas no mundo.
E vagar
Com certo rumo.
Acompanhando teu encalço.



Não.
Não volte mais.
Pra nunca mais...
Fique com seu mundo.
Que eu fico com o meu.

(Queria eu saber que é verdade
O que digo no verso acima)

Que já está tão pequeno...
Meu mundo.
E pra ti
Não tem mais espaço...
E nem o teu.
Pros meus passos.

Eu sei.
Tu tiveste que partir.
Pra ter mais histórias...
Pra contar.
Se tu não tivesses partido.
Seria tudo igual.

Triste.
O tempo nos faz
Esquecer.
O tempo corrói o tempo...
O tempo só faz
Lembranças.
E também as mata.

Fico triste.
Por apenas guardar
Lapsos de sorriso.

Tu devias voltar...
E eu devia ter partido.
Diante dos olhos do mar...
Além dos faróis solitários.
Além das ancoras afogadas.

Eu devia ir.
Tu devias voltar.

Não precisa estar longe
Pra poder esquecer...
O tempo já faz isso.
O tempo mata lembranças

E pra ti...
Tão morto estou hoje.
Mas sei que ainda tens lembrança.
Mesmo
Se eu estiver morto.

A distancia não mata pessoas.
E Não morre com as lembranças...
O tempo mata pessoas.
E morre com lembranças.

Volte.
Volte.

Não deixe a distância.
Enganar-te por estar...
Tão ausente
E tão longe.




Jeferson Guedes

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Acompanhado no escuro

Um rapaz está sentado num bar qualquer em um canto escuro, tomando uma dose de conhaque.
Uma garota desconhecida pra ele até aquele momento... Senta-se junto e começam a conversar.

Ele começa:
- Sabe o que eu penso?
- Sei sim.
- Como consegue saber?
- Por que eu sempre estou com você.
- Mentira. Você nem me conhece!
- Então porque você se sente tão à vontade comigo?
- Eu não sei... Deve ser por causa da bebida...
- Teus olhos são tão bonitos e tristes...
- Eu nem vi da onde você veio! De repente você apareceu do nada... Eu devo estar bêbado demais...
- Eu gosto de surpreender.
- Como assim? Tu nem me conhece!
- Te conheço muito mais do que eu devia. Hoje me deu vontade de quebrar o silêncio entre nós. Já que você nunca me notou antes...
- Pois é. Infelizmente eu não lembro de ti. Nós nunca conversamos... Mas agora noto alguma coisa de familiar em ti.
- Sim, uma vez no escuro você falou comigo... Mas isso faz muito tempo...
- E como você me achou aqui?
- Deve ser porque está escuro... Como naquele dia... E eu sempre sei aonde você vai...
- Como que tu sabes?
- Deve ser por causa do escuro.

De repente ela sumiu da mesma forma que chegou.
Ele não entende...
E pergunta a moça que trabalha naquele bar, que o serve mais uma dose de conhaque.
- Aonde foi à garota que estava aqui conversando comigo?
Ela responde:
- Moça? Você chegou sozinho e começou a beber sozinho... Não tinha ninguém contigo.
Então ele diz baixinho pra si mesmo...
- Ela veio da bebida e do escuro. E acho que ela vai voltar outro dia... Pelo menos eu espero... Mas ela estava aqui eu sei! Eu sei que estava... Senão eu não sentiria o perfume dela... Queria saber qual era o nome daquela garota tão misteriosa... Queria saber onde ela mora ou será que ela descansa só na minha cabeça? E aparece do nada nos meus momentos de fraqueza? Não queria ter que beber pra ela aparecer de volta... Já estou tão farto de continuar sempre tão sozinho... Sei que ela vai voltar... Eu sei...


Jeferson Guedes

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Vício dos dias

O que seria dos perdidos
Sem o vicio?
Eles não têm mais nada...
Pra perder.
Os outros têm muita coisa.
Mas as coisas que possuem...
Um dia acaba os possuindo.
Se minha vida é torta.
Não quero uma linha reta.
Quero rabiscos na folha.
Em vez de um beijo.
Prefiro uma bebida.
Com o copo sempre meio vazio...
Mesmo que esteja transbordando.
Está sempre meio vazio.
Assim que eu enxergo as coisas.
Assim que eu sinto as coisas.
Tão frias e geladas...
Mesmo nas noites mais quentes.
Noites quentes...
Faz tempo que não tenho.
Em vez disso...
Tenho noites de mais insônia.
E no chão, vidros quebrados.
Orgulho em lascas.
Saúde em fiapos.
Mas eu não me importo.
Não me importo
Com os vidros quebrados.
E nem com noites de sono perdidas.
E se minha saúde está morrendo.
Bebo mais uma dose...
E fico olhando pro teto do meu quarto.
Pessoas...
Já me enjôo de praticamente
Todos os rostos.
Todas as vidas...
Tudo incerto...
Poesia mal escrita.
Amor autodestrutivo.
Tão autodestrutivo...
Quão a minha vida.
Não sei se tenho direito
De chamar isso de vida...
Esses dias ficaram pensando...
Minha cabeça já nem pensa.
Mas sim os dias...
Eles pensaram tão alto...
Pude escutar...
E eles diziam:
- Pra ti distância e tempo não existem.
- Ou é porque você não sente falta de ninguém.
- E nem sabe por que ainda respira.
Acho que os dias estão certos quanto a isso...
Pros demais pensamentos...
Tapei os ouvidos.
Depois disso...
Tomei outro gole amargo.
Mandei ao inferno outro rosto.
E acendi outro cigarro.


Jeferson Guedes

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O que restou da neblina

O que restou
De meus olhos,
Se não vejo o que quero.

O que restou
Do meu espelho,
Se já não me enxergo.

O que restou
Da minha vida,
Se não tenho aquilo que espero.

O que restou
Dos meus sonhos,
Se nada me fará dormir de novo.

O que restaram
Em tuas mãos,
Se já não podes me cortar.

O que restou
De meu ar,
Se apenas me faço,
Poluir meus gostos.

O que restou
Do meu frio,
Se não tenho mais teu fogo.

O que restou
Da minha vida,
Se agora só me encontro,
No meio da neblina.

E o que restou
Da minha neblina,
Se eu apenas não queria
Ver mais teu rosto...




Jeferson Guedes

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Do canto da sereia

Do canto da sereia.
Detive-me com meu barco...
És tão bela!
Deusa do oceano...

Não queria ter,
Que perder o fôlego.
Com o gosto salgado...
Das águas que regem
O teu chamado.

És tão sozinha...
És tão delicada...
Achas que eu devesse...
Provar do teu encanto?

Se eu tivesse a sorte...
Que não me condenasses.
Mas, bem sei que só me esperam rochas...
Sei que meu descanso,
Não sai do teu abraço.
E sim do teu canto de morte.

Maldita sejas tu!
Sereia que amaldiçoa meu barco.
Agora me deixo e escuto tua voz.
E solto meu corpo.

Naufragaria com tanto gosto...
Se eu pudesse passar por anos!
Ouvindo a tua voz...
E beijando o teu rosto.

Sei que agora estou morto.
E o que resta...
É meu desejo que tu sejas feliz.
Por ter afundado meu barco.
E ter levado meu corpo.


Jeferson Guedes