quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Tormenta

Tantas verdades que eu guardo em meu peito rasgado, e meus cigarros conversam comigo, sinto culpa por ter que queimá-los. Gritos das nuvens que gostam de profanar meu sono, quando estou sonhando com o seu abraço e um maço de cigarros no bolso esquerdo. Certas coisas combinam tanto que até parecem que foram feitas uma para a outra. Último cigarro e último gole de vinho da noite. E meu peito continua rasgado. Favo do seu doce mel que guardo ainda em meus lábios que já se tornaram avermelhados, e cinzas que também guardo um pouco abaixo da língua. Certa canção que tentei decorar cortando meus pulsos. Sozinho e acabado, sem vinho... E sem cigarro. Conselhos e promessas escondidos pela poeira do mar. Tapas nas costas de quem eu mais odeio. Sorrindo e me dizendo que o mundo é assim mesmo... E nunca irá mudar para algo melhor. Hoje à tarde olhei para o céu e vi tantas nuvens raivosas. Negras e com seus relâmpagos expostos para o rosto das pessoas. Mas me cobri de inspiração olhando a luz amarela do poste... Já era tarde, mas não parecia... O tempo passou tão latente sobre mim... E já era tarde que não consegui perceber... Não quero fugir e não quero que pense que sou um covarde por não ter coragem de enfrentar a tempestade, que virá e será tão inevitável aos nossos olhos que também se tornaram cobertos de tanta raiva. E só estão esperando cair à tempestade em nossos inimigos. Se sua vida correr perigo, lutarei forte, mesmo sem olhos e sem escudo! E se o perigo persistir vou te esconder em minhas asas, e tentarei te deixar em um lugar seguro, para que você não veja essas chamas que correm pela montanha... Queimando as árvores, pobres árvores... Não podem nem gritar. Nem a minha morte pagaria a perda da sua alegria. Sempre esperarei o seu sorriso, para que eu possa prosseguir e te deixar em seu leito tranqüilo. Sonhando com dias melhores... Acredite... Dias melhores existem, e suas nuvens que te enchem de alegria, voltarão a sorrir e despejarão sorrisos de esperanças reais sobre uma forma de chuva amena e fina, sem mais angústia...


(Jeferson Guedes)

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